terça-feira, 1 de agosto de 2017

O MEIO SOCIAL E SEUS OLHARES DIFERENTES




Um texto ilustrado por uma foto que com certeza trará sensações, reações e significados diferentes para cada leitor..
Cada mochila dessas tem um peso considerável para se carregar dessa maneira andando pelas ruas de São Paulo.. Nesse texto quero dividir com vocês como foi o meu dia de hoje, 01/08/2017. Em uma única tarde, pude perceber muitos olhares e reações da pessoa ao me verem andar desse jeito na rua, e dentro do metro.
Meu dia hoje teve início pontualmente as 08:00 e diferente dos demais dias onde trabalho home office, fui para a empresa resolver problemas com o meu computador de trabalho (na mochila da frente estava todo o equipamento)
Começo a trabalhar e entre um atendimento e outro, o técnico fazia testes para solucionar as falhas nas ligações recebidas. Até aí, nada de diferente da rotina diária.. Certo momento do dia a minha chefe me chama e diz: Rô, você tem que pegar seu kit e sua mochila ( a mochila que está nas costas, que tinha um caderno, uma caneca, um squizzi, a minha blusa de moletom, um guarda chuva, uma pelúcia que comprei no caminho de volta).
Naquele momento fiquei esquematizando como faria para sair da empresa, e ir para o dentista com duas mochilas bem pesadas, e ainda ter de encarar o metro.. Pois bem, a foto ilustra como me ajeitei para fazer o trajeto, que não era tão longo mas tinha alguns obstáculos.
Vamos lá... Antes de sair do Sebrae onde escutei de longe: Essa garota é demais.. Vai de metro com as duas mochilas e vai numa boa.. Saindo, para na banca de jornal para comprar uma pelúcia e meu amigo se oferece para me ajudar a carregar uma das mochilas até o metro.. Eu aceito, com toda certeza..
Ao descer uma das escadas rolantes do metro nos perguntamos o motivo de não haver na estação Paraíso o trajeto todo de escada rolante até a plataforma de embarque para quem embarca sentido Vila Prudente, e meu amigo então responde: Porque quem fez provavelmente não pensou na questão da acessibilidade para todos.. Bom, questionamentos a parte cada um foi para um lado, e lá fui eu com as duas mochilas para o meu destino, e como sempre faço fui observando as pessoas e dessa vez foi cômico.. Ou seria trágico?? Tudo depende do ponto de vista de quem ler o texto
Sabe quando a pessoa te olha um longo tempo, aí você olha para ela, ela disfarça e depois volta a te olhar de novo.. Eu percebo na hora quando a pessoa se constrange, e parece que quer falar alguma coisa.. Parecia que todos queriam me dar o lugar, e ao mesmo tempo tinham receio de eu me ofender, ou algo do tipo.
Cheguei ao meu destino, estação Consolação do Metro.. Êta estação para ser cheia a qualquer hora do dia.. É gente que não acaba mais, e todo mundo parece que está atrasado.. E lá fui eu, subir a escada rolante que parece nunca ter fim.. Algo que aparentemente seria tranquilo, se as pessoas fossem menos desesperadas e entendessem a DIFERENÇA entre ela e a escada normal.
Quero saber quem foi o SER HUMANO BRILHANTE que criou a bendita da frase: POR FAVOR, NA ESCADA ROLANTE DEIXE A ESQUERDA LIVRE!!
Esse cidadão com certeza não tem MOBILIDADE REDUZIDA. Sejamos sensatos e honestos, se você tem pressa e não pode esperar a velocidade da escada rolante, POR QUÊ não faz uso da outra escada??
Eu estava com as duas mochilas e na esquerda da escada rolante.. Ouvi umas 10 vezes: A ESQUERDA TEM QUE DEIXAR LIVRE!!! Enfim saí do metro, e ao caminhar na Avenida Paulista com as duas mochilas, os olhares continuavam e comentários também. A moça atrás de mim comentou com a amiga: COITADA DA MOÇA, SEM NINGUÉM PARA AJUDÁ-LA!!
Bateu uma vontade de virar e dizer: SE A SENHORA QUISER AJUDAR, AGRADEÇO!!
Saí da dentista, eram 17:30, e o metro começando a encher.. Na entrada do metro Consolação a escada que desce até as bilheterias não é rolante, então desço degrau por degrau com uma mochila na mão direita e a outra nas costas.. E mais uma as pessoas se irritam..
Passo a catraca e a próxima escada é a rolante, e lá estou eu parada do lado esquerdo e ouvindo insistentemente: A ESQUERDA TEM QUE FICAR LIVRE. Da Consolação até a Vila Prudente consigo vir sentada e faço valer meus direitos ao usar o assento preferencial. Chego na Vila Prudente e dessa vez espero todos subirem para subir com calma e ninguém me encher o saco.
Assim é minha rotina pelas ruas de São Paulo, olhares diferentes a todo tempo. Hoje esses olhares não me causam medo e não me fazem desistir das minhas tarefas. A deficiência não é um pretexto para desistir de enfrentar os obstáculos da sociedade, é sim uma maneira de enfrentar de frente cada desafio.
Olhares diferentes, conclusões antecipadas, falta de acessibilidade.. Aprender a conviver com todas essas questões é um exercício diário, pois todos os dias são diferentes



sábado, 15 de julho de 2017

TRABALHAR COM A INCLUSÃO - UM DESAFIO CONSTANTE

O primeiro texto de 2017... Não diferente de todos os outros que aqui estão, esse chega para causar aquele bom e velho desconforto por nos fazer refletir sobre um assunto muito falado e pouco praticado: A INCLUSÃO.
Confesso a vocês que estou tendo a real noção do tamanho do buraco que resolvi pular e me aventurar, só agora que comecei a desenvolver palestras sobre o tema. Tema onde você tem que ter o feeling apurado para poder atrair a plateia, pois é um tema complexo e que as vezes abre feridas que pareciam estar cicatrizadas.
Certo dia ao conversar com uma amiga para entender o baixo interesse do público em participar da palestra, ela me disse que o interesse sobre falar sobre Inclusão era muito maior para pessoas que trabalham nesse meio, ou que tem algum propósito em cima dele.
Isso me deixou ainda mais inquieta e determinada a descobrir caminhos para sensibilizar as pessoas. Fugir daquilo que acredito ser meu destino está fora dos planos, então só me resta ir cada vez mais a fundo e aumentar o tamanho do buraco cada dia mais.
Ontem consegui finalmente assistir ao filme brasileiro "O Filho Eterno", filme que traz muito a tona o tema de inclusão em vários aspectos. Um filme que se passa em 21 de Junho de 1982 e traz a história de pais que tem um filho com Síndrome de Down e precisam aprender juntos a como lídar com essa situação.
Alguns pontos me chamaram a atenção e me fizeram fazer um paralelo com a minha história de vida, conhecida por muitos de vocês que acompanham meus passos. Assim como eu o pequeno Fabricio nasceu em uma época onde não havia na medicina grandes tecnologias e tratamentos para as pessoas que nasciam com alguma deficiência.
Fabricio nasceu em 21 de Junho de 1982, eu nasci em 16 de Junho de 1984. Ele nasceu com Síndrome de Down (na época os médicos davam o diagnóstico de mongolismo), eu nasci com hidrocefalia (quando nasci o fisiatra disse aos meus pais que eu não iria andar e muito menos falar).
Se eu for citar aqui todos os pontos em comum entre eu e a história do garoto, esse texto nunca terá fim. E na verdade esse é o barato de se falar de Inclusão, um tema que nunca terá fim pois cada um tem o seu ponte de vista que NUNCA terá CERTO ou ERRADO.
Fato é que depois de ter assistido ao filme, tive a certeza de que o MEDO faz com que as pessoas se esquivem de ter que falar sobre um assunto que causa desconforto, pois infelizmente fomos todos gerados e criados dentro de uma SOCIEDADE que tem como principal foco criar um PADRÃO para todas as coisas..
Tenho esse grande desafio de quebrar essa barreira: SOCIEDADE X INCLUSÃO. O bacana nesse desafio é que entre uma palestra e outra já percebi que palestras 100% interativas, onde tenho a oportunidade de trocar com a plateia, tornam essa missão mais tranquila.. As pessoas perdem o medo e se desarmam sem perceber.
O melhor de tudo é descobrir que tenho um leque vasto de temas que trazem a tona o propósito de INCLUIR e de PERTENCER a um grupo..

Faço o convite para assistirem ao filme: "O Filho Eterno". É .só acessar o link abaixo:


Encerro o texto deixando aqui um recado a todos vocês:

Falar de Inclusão não é tarefa fácil, fazer a Inclusão também não é.. Apenas reflita sobre seus atos e ações e se pergunte: Eu realmente sei o que significa a palavra INCLUSÃO?

Muitas vezes ficamos com a ilusão de que INCLUSÃO está ligada a Pessoa com Deficiência, e na verdade ela se associa a todas aquelas pessoas que são rotuladas como FORA DO PADRÃO.








sábado, 22 de outubro de 2016

EDUCAÇÃO INCLUSIVA X PERTENCER AO GRUPO - DOIS ASSUNTOS COMPLEXOS PARA SE ENTENDER

Depois de um longo período sem escrever para o meu blog de Inclusão, aqui estou eu com um novo texto para todas as pessoas que tem acompanhado a minha jornada e minhas histórias.
Uma amiga essa semana me perguntou: Por que você parou de escrever para o blog? Como todos sabem todos os meus textos são escritos e criados a partir de vivências que tenho, essa é a minha verdadeira referência bibliográfica, MINHA VIDA. 
Qual seria a graça de escrever textos sobre Inclusão baseada em teorias e termos técnicos dos quais tenho algum conhecimento e que me deixam "robotizada"?? Para quem tem um arquétipo forte de "fora da lei", roteiros não servem para muita coisa. Não sei seguir script, não sei ficar presa a conteúdos técnicos e estatísticos.
Sendo assim, os textos só estarão presentes no blog quando traduzirem com clareza 100% do meu EU, quando as minhas vivências me trouxerem inquietações. O texto de hoje fará vocês refletirem e quem sabe enxergarem a Educação Inclusiva de uma maneira diferente. 
A ideia aqui não é dizer que ela existe e é perfeita nos moldes de hoje, até porque isso não é verdade. Quero propor a vocês que tentem se colocar em dois papéis: o da pessoa com deficiência e o do educador. Consigo me ver dos dois lados, pois vivi e vivo isso com frequência e talvez a minha visão seja de maior amplitude de uma pessoa que não tem deficiência.
Eu sou uma pessoa que desde pequena sempre gostou de novos desafios, de propor a si mesma novas metas e obstáculos a serem vencidos, e já tem quase dois meses que me desafiei a fazer algo que nunca tinha feito antes na vida: AULA DE DANÇA CIGANA. 
Acho essa dança bárbara, e desde quando fazia danças circulares na faculdade fiquei fascinada pela cultura, pelas músicas.. Só que uma coisa é você dançar em roda, outra é você dançar sozinha.. Pois é, você descobrir que tem que haver um mix de movimentos dos pés, das mãos, do quadril, e tem que ter SENSUALIDADE. Oiiii???? É muita coisa para uma pessoa só, e vou dizer para vocês que é lindo quando você faz tudo isso junto.. 
Pois bem, chegamos ao tema do nosso texto: EDUCAÇÃO INCLUSIVA X PERTENCER AO GRUPO. A turma de dança é formada por 9 alunas, e ninguém ali é dançarina profissional a não ser nossa professora que dispensa comentários.. Esse é o cenário, você se propor a dançar e entender que ali é um momento para aprender de forma descontraída. 
Isso é lindo na teoria, só que na prática a história é completamente diferente. Eu tenho sequelas motoras em função da hidrocefalia, e a minha coordenação motora do lado direito é pouca. Vamos tentar fazer a troca de papéis?? Imagine que você precisa fazer qualquer atividade motora, só que só poderá usar as mãos ou os pés que você não tem muita coordenação. O movimento até sai, só que não da maneira que deveria ou que você gostaria que fosse, não é verdade?
Como fazer para que uma pessoa com deficiência, seja numa aula de dança, seja na sala de aula, ou em qualquer atividade não se sinta excluída do grupo?? Vou falar para vocês que tem aula que saio bastante incomodada, e não com as meninas e nem com a professora.. Incomodada por não acertar os movimentos, e as vezes ficar 5 minutos parada para entender onde incomoda.
A complexidade é gigante quando se trata de Educação Inclusiva pelo simples fato de que nossos professores não sabem como agir em determinadas situações. Trocaremos de papel novamente, e agora vocês serão os educadores: Imaginem que vocês tem uma turma com 15 alunos e desses 15 vocês tem 3 que tem deficiência. Darei a vocês duas alternativas: 1- Fazer atividades adaptadas, diferente dos outros 12, para que eles participem da aula e se sintam incluídos. 2- Dar a mesma atividade para toda a sala e auxiliar os 3 alunos com deficiência, criando meios para fazer com que o foco seja o potencial deles e não a deficiência. 
É uma decisão que esse educador tem que tomar, e que não é fácil. Cada deficiência tem a sua complexidade, e como sempre digo: DIAGNÓSTICO NÃO É DESTINO. Para o EDUCADOR o correto é OLHAR para esse aluno e voltar o FOCO para o POTENCIAL que ele tem, e NUNCA para a DEFICIÊNCIA. 
Toda PESSOA COM DEFICIÊNCIA seja esta ADQUIRIDA ou CONGÊNITA terá sempre o DESEJO de PERTENCER A UM GRUPO. A busca pela PERFEIÇÃO é algo que faz parte do NOSSO PERFIL, pois a SOCIEDADE insiste nessa teoria de que por SERMOS DIFERENTES estamos FORA DOS PADRÕES. 
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA só irá existir quando A SOCIEDADE entender de uma vez por todas que:

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NÃO SÃO DIFERENTES, ELAS FAZEM A DIFERENÇA!!!!!


domingo, 24 de janeiro de 2016

TRABALHO NA ÁREA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

E aqui estou eu, de volta ao meu blog... O que vocês, meus seguidores, poderão esperar para os textos de 2016?? Posso dizer que bons textos com temas sobre a Inclusão Social, mas esse ano vocês terão a oportunidade de ler textos voltados para a área de Educação Especial.
A ideia é fazer um paralelo entre vivências do meu dia a dia, com as vivências do dia a dia da minha turminha da Associação Conviver. Já tem um tempo que venho amadurecendo essa questão e vamos ver no que vai dar. Espero que consiga trazer a todos os meus seguidores / leitores um pouquinho mais sobre o trabalho dentro da área de Educação Especial.
Feliz Ano Novo, galera!!! Tenham todos uma ótima leitura!!!
Para dar início a esse texto, vou começar dizendo que o ano de 2015 me trouxe gratas surpresas dentro da Educação Especial, onde eu retornei meus trabalhos a convite da minha amiga e coordenadora da Associação Conviver, Silvana, e o que de início era para ajuda-la a desenvolver um projeto, acabou sendo o começo de uma jornada de trabalho dentro da minha área de formação que é a Psicologia.
Mergulhei de cabeça em tudo o que fiz dentro da Associação, e não me arrependo de nada que tenha feito, pois sei que tudo o que fiz foi por AMOR. Não vou me estender a detalhes, pois esse não é o foco desse texto. Agora, vamos pegar esse gancho e refletir por alguns minutos: Quais os fatores que levam as pessoas a trabalhar com a área de Educação Especial?
Acredito que alguns de vocês, em algum momento já deve ter se questionado a respeito disso, não é verdade? Das pessoas que conheço e que conheci recentemente, que atuam dentro dessa área encontrei algumas possibilidades :]

- Ter algum tipo de deficiência
- Ter algum parente ou amigo quem tem deficiência
- Ter feito algum trabalho dentro dessa área e ter se identificado

Evidente que devem existir uma série de outros fatores que tenham feito com que outras pessoas se apaixonasse por essa área que precisa demais de profissionais que amem o que fazem.

"Profissionais que amem o que fazem"..

Frase bonita quando se lê, não é verdade? É uma pena que nem sempre essa frase é verídica.. e tem gente usando ela de forma inapropriada. Na área da Educação Especial, essa frase NUNCA pode servir como uma MÁSCARA, uma falsa ideia para posar de excelente profissional..
Nesse exato momento, estou vendo a imagem de muita gente fazendo cara de espanto, ou torcendo o nariz para o que acabei de escrever.. Esqueci de dizer que apesar de estarmos em um novo ano, vou continuar polemizando muitas questões em meus textos. Afinal, essa é a principal característica de muitos dos meus textos.
O trabalho dentro da área de Educação Especial te exige dedicação o tempo inteiro, e não vá pensando você que esse trabalho é só atuar alguns dias ao lado de pessoas com deficiência, e posar para fotos. Aliás, se você tem essa visão é melhor esquecê-la, pois quando digo "AMAR O QUE FAZ", falo de entrega, de fazer de tudo um pouco.
Costumo dizer que quem entra nessa área se vira do avesso, por mais que esse profissional tenha sido contratado para atuar em determinada atividade.
Cada profissional, estagiário ou voluntário que escolho a área da Educação Especial tem que ter em mente que a prioridade não somos nós, a prioridade são nossos alunos. Nesse ponto, gosto muito de sempre lembrar uma fala da Silvana, quando ela diz que na nossa Associação não existem alunos, e sim grandes amigos. E com essa visão, nós sempre tivemos um grande diferencial.
Para quem pensa em um dia ingressar nessa área, vá em frente. Mas lembre-se que trabalhar com crianças, jovens e adultos especiais, é algo muito valioso, e que só descobre esse valor aquele que se entrega de corpo e alma, sem luxos e sem prepotência.

"A área de Educação Especial trouxe de volta a minha vida a vontade de querer seguir em frente. Talvez esse seja o meu maio DOM, já que todo mundo tem um. Dessa área não sairei nunca mais, pois tenho certeza de que nela poderei plantar muitas sementes e colher lindos frutos. E eu sou uma pessoa que descobriu na Educação Especial, na Associação Conviver que: AMA O QUE FAZ.






domingo, 4 de outubro de 2015

LEI DE COTAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - UMA VISÃO UM TANTO QUANTO PESSOAL SOBRE ESSA LEI

Antes de começar mais um texto sobre um tema que tem muito a ser discutido, vamos saber um pouco mais sobre essa tal Lei de Cotas:

Lei de Cotas
A Lei de Cotas, define que todas as empresas privadas com mais de 100 funcionários devem preencher entre 2 e 5% de suas vagas com trabalhadores que tenham algum tipo de deficiência. As empresas que possuem de 100 a 200 funcionários devem reservar, obrigatoriamente, 2% de suas vagas para pessoas com deficiência; entre 201 e 500 funcionários, 3%; entre 501 e 1000 funcionários, 4%; empresas com mais de 1001 funcionários, 5% das suas vagas. 
A baixa escolaridade e a falta de qualificação profissional são apontadas como as principais causas da não contratação de pessoas com deficiência, além da adaptação necessária na estrutura física das organizações, para que os espaços possam ser adequados ao trabalho e ao deslocamento dos profissionais.
De acordo com o art. 2º da Lei 10.098/2000, acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Quais as deficiências que se enquadram na legislação que define as cotas?

São as deficiências estabelecidas pelo Decreto 5.296/04 descritas nos limites e graus de comprometimento. Para que se inclua um profissional na cota da empresa é necessário que ele seja avaliado por um médico do trabalho, que determinará sua inclusão ou não na cota seguindo os critérios do decreto 5.296\04. Neste caso a Lei define para: Deficiência Visual – deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0, 05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0, 3 e 0, 05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. Deficiência Auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. Deficiência Física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Deficiência Intelectual: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: Comunicação; Cuidado pessoal; Habilidades sociais; Utilização dos recursos da comunidade; Saúde e segurança; Habilidades acadêmicas; Lazer; Trabalho. Deficiência Múltipla: associação de duas ou mais deficiências.

Muitos de vocês devem se perguntar nesse exato momento o por quê EU, uma pessoa que tem deficiência, e que está enquadrada na Lei de Cotas para Deficientes, resolve escrever sobre esse tema. Na verdade, eu nunca fui atrás para entender nos mínimos detalhes sobre essa lei e, tudo o que eu sabia era que essa lei foi criada para dar a todas as pessoas com deficiência, o direito a entrar no mercado de trabalho. Sendo assim, pode-se dizer que essa lei tem muito a ver com a Inclusão Social no Mercado de Trabalho, certo?? Não necessariamente, se levarmos em consideração algumas questões que mais uma vez só podem ser vista a olho nú, por aquele que tem uma deficiência e também tem o pensamento que vai além da deficiência.
A ideia de escrever esse texto surgiu a partir de uma conversa maravilhosa com uma amiga muito querida que conheço faz alguns anos, e que tem me ensinado muitas coisas dentro da área de Inclusão Social.. Silvana Gramignoli, amiga que tem me feito abrir a mente e os olhos para minhas próprias inquietações, minhas angústias, e tem repassado seus conhecimentos a quem um dia tem o sonho de SER uma excelente profissional como ela dentro da área de Psicologia, trabalhando com Inclusão Social.
Mas vamos ao que interessa... Criar uma lei para facilitar a inserção de Pessoas com Deficiência ao mercado de trabalho para quem lê sobre o assunto pela primeira vez é algo lindo, e pode-se criar a ilusão de que os problemas da pessoa com deficiência para entrar no Mercado de Trabalho estão resolvidos. CERTO ou ERRADO?
Sinceramente, mantenho a minha opinião de que tudo que é criado apenas em relatos e não em vivências, tem grandes chances de não dar certo. No papel a lei de cotas para deficiente é perfeita, mas na prática tem muitas falhas.
Eu faço parte do programa da Lei de Cotas, mas entendendo melhor o conceito e quem pode fazer parte dessa Lei, me pergunto se deveria mesmo estar dentro desse percentual. Não tenho nenhum comprometimento cognitivo, tenho formação em psicologia, e por conta de uma pequena sequela em função da minha deficiência, entro na lei de cotas. Em termos de estrutura de trabalho, a única adaptação que preciso em questão de espaço físico é o uso de um headset, aparelho utilizado geralmente em empresas de call center para uso do telefone. Mas se pararmos para pensar, o headset deveria ser artigo obrigatório para todo funcionário que faz uso frequente do telefone no trabalho e que também utiliza o computador de forma simultânea. Ou seja, será mesmo que eu precisaria ser enquadrada na Lei de Cotas?
Um outro fato que sempre me intrigou, é o formato dos processos seletivos, que são realizados de forma separada, justamente pelo fato de que as vagas são específicas para as Pessoas com Deficiência. Mas a Lei de Cotas não foi criada para facilitar a Inclusão dessas pessoas no Mercado de Trabalho? Inclusão com processo seletivo separado?
Muitos vão dizer: Ah, mas a avaliação tem que ser diferente, não dá para comparar. Comparar o que, meu povo?? A ÚNICA diferença que deve ser avaliada, é após o processo seletivo, para verificar quais as necessidades que a pessoa terá dentro do ambiente de trabalho, mudanças de estrutura física. Fora isso, não tem NENHUMA DIFERENÇA.
Mas e se formos falar da pessoa com deficiência intelectual, Roberta? Sendo bem realista, de todos os processos seletivos que já participei, em nenhum deles eu vi uma pessoa com deficiência intelectual, embora eu tenha conhecimento de empresas que tem funcionários com tal quadro, e mesmo assim restrito a pessoa com Síndrome de Down. E mesmo que tivéssemos pessoas com esse perfil, acho que os processos seletivos poderiam ser pensados em ser realizados dentro de um formato mais inclusivo.
Que fique claro que esse texto não é uma reprovação a Lei de Cotas para a Pessoa com Deficiência, mas sim um desabafo de quem já viu essa mesma lei ser um prato cheio para o estigma ao Deficiente, pois as mentes mais preconceituosas adoram dizer que: O DEFICIENTE SÓ ESTÁ EMPREGADO POIS EXISTE UMA COTA QUE A EMPRESA TEM QUE CUMPRIR PARA NÃO SER MULTADA.

"NÃO DEIXE QUE SUA CAPACIDADE SE ESCONDA ATRÁS DE UMA LEI. SE VOCÊ ESTÁ EMPREGADO FOI PORQUE VOCÊ TEVE UM DESTAQUE. MOSTRE A SUA CAPACIDADE A TODO MOMENTO, E LEMBRE-SE SEMPRE: A DEFICIÊNCIA ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM É INCAPAZ DE ENXERGAR ALÉM DELA".



domingo, 27 de setembro de 2015

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: SERÁ QUE ELA EXISTE?




Para ilustrar esse texto vou deixar um convite a todos vocês para assistirem ao filme: "Como Estrelas na Terra, Toda Criança é Especial".
Um dos assuntos mais discutidos quando se fala na Inclusão Social, é a questão da Educação Inclusiva. Um tema que se fizermos uma roda de discussão entre várias pessoas, vai ser assunto de longas horas.
Eu vou ser direta, e vou dizer que só aceito falar desse assunto com quem sabe ouvir e respeitar a opinião do próximo, afinal ninguém aqui é dono da verdade. 
Falo de peito aberto que a Educação Inclusiva aqui no Brasil é o meu sonho de consumo. Sim, sonho de consumo pois não vejo isso acontecer de forma clara e como realmente deve ser. Sei que muitas pessoas que me conhecem vão dizer: Ah, mas você estudou em escola de regime regular. Mas existem dois fatores importantes nessa história toda: primeiro que a minha deficiência deixou sequelas pouco aparentes, então a escola tinha de ter SÓ a boa vontade de me avaliar e ver se eles poderiam me atender.. Quanto a isso não tive muitos problemas.. O segundo fator é fazer com que os professores soubessem lidar com a questão do preconceito, e fazer com que eu não fosse excluída pelos outros alunos.
Essa é a pior parte, fazer todo um trabalho com os alunos, para que eles entendam que aquele amigo que tem uma deficiência, é uma criança normal. Isso envolve um trabalho em conjunto entre o professor e o psicólogo da escola, quando a escola tem um.
Mas como já falei, embora tenha esses dois fatores cruciais, fazer Educação Inclusiva com pessoas com caso semelhante ao meu, é relativamente fácil.. Agora, e com outras deficiências, será que acontece da mesma maneira? Vou dizer sem titubear que não. 
E aí vem a pergunta: Nesses casos de quem é a culpa? Existe um culpado? É da escola que não prepara seus professores e não tem a estrutura adequada? É do professor que sabe que a estrutura não é adequada e se acomoda, para se livrar de qualquer culpa que possa existir? É dos pais que insistem em matricular seus filhos em escola de regime regular, por acharem que ele tem condições de estudar nessa escola?
O filme acima conta a história de um garoto que sofre de DISLEXIA: perturbação na aprendizagem da leitura pela dificuldade no reconhecimento da correspondência entre os símbolos gráficos e os fonemas, bem como na transformação de signos escritos em signos verbais. Os pais e nem seus professores se preocuparam com a sua dificuldade, e sempre achavam que o menino fazia corpo mole e estava fazendo graça. Até que quando estava em um colégio interno, pois seu pai havia tomado essa decisão, ele foi acolhido por um professor que soube observar as suas dificuldades e como trabalhar a favor da sua real dificuldade de aprendizado: a dislexia.
Vendo esse filme, e fazendo um trabalho diário com pessoas que tem Deficiência Intelectual, entendo que não se deve generalizar, pois cada caso é um caso. Cada um tem seu tempo, cada um tem a sua limitação. E se você me perguntar se HOJE é possível inserir uma pessoa com deficiência dentro de uma escola com regime norma, independente da deficiência, a resposta ainda é a mesma: Não.
E não vou apontar culpados, pelo simples fato de acreditar que hoje nessa questão de INCLUSÃO SOCIAL, há muita gente com boa vontade, mas de boa vontade o Brasil está cheio. Hoje precisa-se de pessoas que queiram arregaçar as mangas e colocar a mão na massa, que se sintam incomodadas com o que temos hoje. E isso infelizmente está em falta. Vou mais além, e essa é para pais que tem um filho com deficiência intelectual refletirem: NUNCA deixe NINGUÉM dizer que seu filho é INCAPAZ. A INCAPACIDADE só existe para aquelas pessoas acomodadas, que julgam sem conhecer. Seu filho tem a capacidade mais bonita que pessoas ditas normais não tem: CAPACIDADE DE AMAR. E ele é capaz de fazer muitas outras coisas se for estimulado, se tiver alguém que saiba ouvi-lo e que entenda as suas necessidades.
Assim como todo tema que envolve a Inclusão Social, esse tema EDUCAÇÃO INCLUSIVA nos dá abertura para boas discussões sadias. Só nos resta saber que se quem fará parte dessa roda de discussão está disposto a ouvir e respeitar a opinião do outro.

"Do que eu sou a favor? Sou a favor de que as pessoas prestem mais atenção para tudo aquilo que está diante dos seus olhos. Julgar e apontar o dedo é fácil, mas tomar atitude para mudar o que se vê é algo bem complexo."



O NASCIMENTO DO BLOG : "SER DIFERENTE É NORMAL"

Muitas pessoas que acompanham o blog devem se perguntar a cada texto novo: Como surgiu a ideia de criar um blog e escrever textos que estivessem ligados a Inclusão Social?
Tudo começou a exatos 16 anos atrás, quando eu iniciei um trabalho terapêutico para aprender a lidar com as questões de preconceito, por ser uma pessoa que tem deficiência. A terapeuta sempre pedia para que eu encontrasse uma forma de extravasar a minha raiva e as minhas angústias. E me deu um exercício: escrever tudo em uma folha em branco, e quando esta estivesse totalmente preenchida, era para eu amassar e jogar a folha no lixo.
Fiz esse exercício por alguns meses, mas chegou um momento que não estava fazendo efeito como eu gostaria. Pois tudo o que era escrito só eu sabia, mas eu não estava gritando a minha raiva para o MUNDO. E foi aí que resolvi transcrever tudo o que estava na folha em branco para uma página minha, onde eu pudesse com os meus textos transmitir para qualquer pessoa tudo o que eu sinto, e que indireta ou diretamente outras pessoas com deficiência também sentem, mas tem receito de falar, expor.
Escrever me alivia, me acalma, me faz refletir e viajar em meus próprios pensamentos.. E como qualquer pessoa que gosta de escrever e tem seus momentos de inspiração, eu também tenho o meu momento e a minha mania. A música faz a minha mente trabalhar muito rápido, seja ela qual for.. Então, sempre que escrevo estou com fones de ouvido, ao som de qualquer música que eu goste, e ela quase sempre está no volume máximo, para que eu consiga me fechar dentro de uma bolha, eu, minha música e meus pensamentos. E detalhe, para cada texto ouço apenas uma música por várias vezes, pois minha mente é treinada a ter pensamentos e sonhos acordada com uma mesma música. A trilha sonora desse texto por exemplo está sendo: Ed Sheeran - Photograph.
A escrita para a minha pessoa é um hobby, e muito em breve irá se tornar algo mais sério. Gosto de escrever, pois a escrita virou a minha terapia eterna. Só fico um pouco insegura por não ter muito a noção se as pessoas curtem o que encontram por aqui, se elas gostam do que leem, se detestam.
As vezes sinto muita falta desse "feedback".. Não que isso vá mudar a minha maneira de escrever e de expressar as minhas ideias, mas é bacana você saber que está sendo escrito está causando algum tipo de reação em quem quer que seja.
Sendo bem sincera, o blog tem me trazido algumas respostas que eu já sabia antes mesmo dele nascer.. E é gratificante saber que de alguma forma, cada um deles tem tocado a mente e o coração das pessoas.

"Você não precisa estar 24 horas comigo para entender a minha dinâmica. Basta prestar atenção nos meus gestos, nas minhas ações, nas minhas escritas. Hoje eu aprendi a dançar conforme a música."